Manter-se atualizado é importante no mercado de trabalho como um todo, e não seria diferente com os profissionais da saúde. De donos de consultórios aos que exercem a clínica, todos devem procurar aperfeiçoamento – que nada mais é do que qualquer atividade exercida depois da graduação, incluindo MBAs, mestrados, doutorados, especializações, etc.
Boa parte da necessidade de atualização se deve à quantidade de conhecimento que hoje é produzida – e à velocidade que isso acontece –, aumentando a necessidade de nivelamento com o mercado. Tudo isso se reflete no objetivo principal: atender os pacientes da melhor forma possível.
“Não apenas os modelos de gestão, mas também os protocolos clínicos mudam muito de tempos em tempos. Surgem novas drogas, novos biomateriais, entre outros, e cabe ao profissional sempre se atualizar”, afirma Claudio Tosta, professor de gestão da IBE-FGV, especialista em serviços de saúde e cirurgião facial voluntário.
Há, ainda, a satisfação pessoal. “Sem dúvida o profissional com bagagem maior de conhecimento estará mais bem preparado, terá um desempenho melhor e ficará mais satisfeito com a própria atuação”, defende Cristiana Savoi, professora e coordenadora do curso de pós-graduação em cuidados paliativos da Faculdade Unimed.
O aperfeiçoamento também é importante para médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e demais profissionais da saúde pela evolução da carreira e remuneração. Um estudo realizado pela consultoria Robert Half mostrou que 66% dos profissionais com pós-graduação ou MBA tiveram alta salarial após conclusão do curso. Como extra, o profissional ainda ampliará seu networking.
“Quanto mais conhecimento você adquire em sua especialidade, maior é o valor agregado do seu atendimento e consequentemente, maior será a sua remuneração, se destacando, assim, da grande massa de profissionais da saúde existente no mercado de trabalho”, resume Priscilla Toledo Dantas, master coach e criadora do treinamento de liderança e gestão da carreira médica da Med Consulting.
Tipos de aperfeiçoamento
Existem dois tipos de pós-graduação: stricto (mestrados, doutorados e pós-doutorados) e lato sensu (MBAs e especializações), sendo que cada um é indicado conforme o objetivo profissional.
“A finalidade de um mestrado é formar um pesquisador e/ou professor. Ele orienta os profissionais a obterem as informações apropriadas para tomarem as suas decisões”, aponta Nilton Rezende, professor de pós-graduação da Faculdade Unimed.
Para Rezende, o doutorado é dispensável para quem não deseja seguir carreira acadêmica. “Ele pressupõe em si uma atividade de pesquisa, o que em geral não é a atividade fim dos profissionais que estão na assistência.”
Tosta defende que, para quem deseja se aprimorar no mercado, fazer uma especialização, residência ou MBA é o mais indicado. Aqui, mais uma vez, a escolha dependerá do objetivo profissional.
“O MBA tem foco em gestão e governança corporativa. Ele se dispõe a formar gestores de clínicas e hospitais”, diz. De acordo com Tosta, a formação na área da saúde ainda é deficiente em assuntos como gestão, relacionamentos interpessoais e outros não relacionados à parte técnica do atendimento – e este tipo de pós-graduação é uma boa opção para suprir essa lacuna.
“Sair um pouco da operação para mergulhar na estratégia, analisando outras opções, adquirindo conhecimentos genéricos e específicos que ampliam a visão, pode ser muito gratificante, trazendo mais estabilidade e realização durante a jornada”, reforça Dantas.
Independentemente de sua escolha, é importante procurar instituições de ensino que estejam, de fato, dispostas a transferir conhecimento e colaborar com seu crescimento. “Temos que nos atentar à fonte provedora do conhecimento, a qual pode muitas vezes estar sob influências particulares, como ganhos financeiros. É preciso ter cautela”, finaliza Rezende.



















