A alta do dólar tem sido motivo de preocupação para diversos setores da economia e, direta ou indiretamente, ela afeta o bolso de todos. Quem mais sente o impacto são aqueles que viajarão para o exterior ou consomem produtos importados. No entanto, todos acabam sofrendo.
“Como boa parte daquilo que consumimos é importado ou depende, em algum momento da cadeia de produção, de insumos importados, os preços dos bens finais no País devem se elevar. Esse consumidor também é impactado, indiretamente, pela maior incerteza que se instala no mercado nestes momentos, o que pode inibir ainda mais a perspectiva de crescimento”, diz a professora de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Juliana Inhasz.
Se você é dono de um consultório ou clínica que depende de insumos e equipamentos importados, provavelmente já sentiu uma diferença considerável ao adquiri-los em compras recentes – especialmente se você não mantém grandes estoques.
Diante de tamanha volatilidade, fica a pergunta: por que o dólar está subindo tanto?

Motivos para a alta do dólar
Diversos especialistas acreditam que a moeda americana continuará em alta por diversos fatores, a maior parte deles relacionados à política econômica dos Estados Unidos. O Banco Central americano está aumentando sequencialmente a taxa básica de juros do país, inclusive na última reunião, que aconteceu no dia 13 de junho. Esse foi o segundo aumento do ano, e ainda há expectativa para mais dois: em setembro e, talvez, em dezembro.
“Esse aumento torna os títulos do Tesouro americano mais interessantes a investidores do mundo inteiro, que preferem aplicar o dinheiro lá. Com isso, os maiores prejudicados são os países emergentes, que sofrem com a fuga de dólares de investidores estrangeiros que preferem apostar em uma economia mais sólida e segura”, explica o professor de Economia da IBE conveniada FGV, Anderson Pellegrino.
Desta forma, há menos dólares rodando em terras brasileiras – e os que ficam acabam mais valorizados diante do real. Como se não bastasse, a instabilidade política do Brasil faz com que sejamos ainda menos atraentes para investidores estrangeiros em comparação aos demais países emergentes, como Argentina e México.
Como se proteger da alta do dólar?
Proprietários e gestores de clínicas e consultórios encontrarão dificuldades ao comprarem insumos e equipamentos, já que boa parte dos instrumentos mais modernos vem de fora. Para driblar essa alta, é preciso ter uma boa estratégia.
De acordo com Cláudio Tosta, professor da IBE-FGV no MBA em Executivo em Saúde, é aqui que entra em jogo a gestão de fornecedores, área pertencente ao planejamento estratégico da empresa. “Ela será a responsável por antecipar o problema e procurar um plano B, para que não ficar na mão de apenas um fornecedor“, aponta.
Ter mais de um fornecedor na manga permitirá a pesquisa de preços, de modo a não ficar refém de apenas uma empresa. Essa estratégia é especialmente valiosa em tempos como os que estamos vivendo, em que é cada vez mais difícil trabalhar com estoques de insumos.
Já no consumo do dia a dia, é a hora de privilegiar produtos nacionais – e, caso não possa substituí-los, procure lojas que ainda não tenham repassado este custo ao preço. Como a alta do dólar também impacta o valor do combustível – graças à atual política da Petrobras, que alinha o valor dos insumos ao preço internacional –, é indicado preferir o etanol.
Para economizar nas viagens internacionais, a dica é pesquisar para encontrar dólar mais barato. “Não deixe de consultar sites e apps que fazem comparativos entre cotações em diversas casas de câmbio e bancos. Como cada instituição tem liberdade para praticar os preços que julgar mais convenientes, que é a soma do dólar oficial com o lucro de cada uma”, comenta Pellegrino. Entre as plataformas estão Câmbio Legal, MelhorCâmbio.com, Cambiar, Câmbio Store, Bee Cambio e Monepp.
Outra alternativa – essa indicada para quem tem sangue frio e gosta de arriscar: “Fique de olho no mercado e tente comprar dólar em momentos de redução momentânea da taxa”, conclui Inhasz.


















