A falta de tempo e os tabus que envolvem o tema fazem com que muitos pais deixem de lado a educação financeira infantil. Porém, o primeiro momento para falar sobre dinheiro acontece cedo, e é preciso que os pais se atentem – só assim é possível formar adultos conscientes em relação às suas finanças. Especialistas ensinam boas práticas.
Quando começar a falar
Quem dará o sinal será a própria criança quando, pela primeira vez, pedir que os pais comprem alguma coisa. “Isso indicará que ela já entendeu o básico, ou seja, que dinheiro existe, que os pais o têm, e que ele dá acesso a coisas divertidas, coloridas e gostosas”, explica Cássia D’Aquino Filocre, especialista em Educação Financeira e Corresponding Member da International Association for Citizenship, Social and Economics Education (IACSEE, Associação Internacional para a Cidadania e Educação Econômica e Social). Isso pode acontecer por volta dos dois anos e meio de idade – mesmo que ela consiga apenas balbuciar em sua própria linguagem.
Primeiras abordagens
Não é preciso ter pressa ou ansiedade, afinal, o processo durará até a vida adulta. Quando a criança é muito nova, comece mostrando como são moedas e cédulas, apontando as imagens, ensinando que é preciso ter cuidado, não rasgar, morder ou dobrar de qualquer jeito. “É uma maneira concreta de mostrar que tem que ter cuidado com dinheiro”, defende Filocre.
Quando ela estiver um pouco maior, convide-a para participar na hora de fazer a lista de supermercado. Peça que ela veja se está faltando algum item na despensa – ao ver que os pais fazem anotações depois que ela dá a notícia, ela perceberá que a família se organiza antes de ir às compras. Isso passa o conceito de que o uso do dinheiro exige racionalidade.
Seja um bom exemplo
O processo de aprendizado da criança acontece, basicamente, por imitação. “Pais endividados e desorganizados financeiramente têm maior probabilidade de filhos com os mesmos problemas. Consumismo e desperdício também são fatores que levam as crianças a uma vida financeira não saudável”, aponta José Roberto Marques, Master Coach e Presidente do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC).
As palavras também têm grande poder neste processo. Quando se expressa verbalmente conceitos e crenças negativas sobre dinheiro, já se incute na mente dos filhos as mesmas ideias. “A criança ouve colocações como ‘dinheiro não traz felicidade’, ‘dinheiro é para gastar mesmo’, entre outras, e começa a acreditar. Afinal, quem fala aquilo são seus pais, sua maior referência naquele momento”, analisa Júlio Santos, especialista em educação financeira e autor dos livro “Educação Financeira para Pais e Filhos”.
Dar ou não dar mesada?
“Com ela, a criança aprende a lidar com valores e prazos definidos, a fazer escolhas e desenvolve a sensação de autonomia”, diz Santos. Até os 11 anos de idade é recomendado dar semanadas, pois antes disso a capacidade de entender o tempo não é madura o suficiente – do contrário, ela poderá gastar tudo de uma vez e passar um mês sem dinheiro. Depois dessa idade, a noção de tempo já estará mais estabelecida, viabilizando a mesada.
No entanto, antes de tomar a decisão, é preciso analisar o perfil dos pais, pois nem todos se adequam à rotina de sempre ter que sacar dinheiro em notas de menor valor – e, acredite, as crianças cobram o atraso.
Também é preciso ensiná-las a usar o montante, não apenas dar e deixar que gastem como bem entendem. “Oriente-a a dividir sua mesada em partes, destinadas a poupar, doar e gastar. Se ela tem algum objetivo de comprar algo material, ensine a guardar até possuir o que precisa”, sugere Marques.
Cuide, ainda, para não fazer chantagem com o valor, associando a mesada ao desempenho escolar ou ao cumprimento de tarefas em casa, ameaçando cortá-la ao menor deslize. “Filho não é funcionário. Quando o dinheiro se sobrepõe ao respeito, autoridade e amor nas relações familiares, corre-se o risco de criar crianças muito gananciosas e apegadas excessivamente ao dinheiro”, alerta Filocre.
Pensando no futuro
Aos pais que se preocupam com a vida futura dos pequenos, é preciso, sim, ensiná-los a poupar. Inicie com o cofrinho e, aos poucos, introduza outras ideias – mas lembre-se que o conceito de tempo é abstrato demais para crianças muito pequenas. Para elas, comece ensinando-as a poupar por quinze minutos, depois por um dia, e assim por diante.
Os pais podem tomar ações mais concretas para garantir o futuro, como criar uma reserva financeira para que a criança possa contar quando precisar. “Um plano de previdência para os filhos é uma ação de educação financeira dos pais que sabem que é importante ter reserva financeira para determinadas fases do desenvolvimento dos seus filhos”, conta Santos.
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