Quais os impactos do coronavírus na economia brasileira?

(Atualizado em: 19 de março de 2020)

Março de 2020 certamente entrou para a história do mercado financeiro, após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia do novo coronavírus. O anúncio derrubou os mercados de ações do mundo e têm deixado os investidores agitados. 

A semana entre 9 e 13 de março foi de pânico. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, sofreu várias quedas e em um único dia acionou o circuit breaker duas vezes – mecanismo que interrompe as negociações temporariamente. A mesma situação aconteceu em 2008, em meio a grande crise financeira mundial. Naquele ano, a bolsa brasileira acionou o circuit breaker cinco vezes em outubro. 

Neste mês, o recurso de paralisação do pregão já foi acionado cinco vezes.   

O cenário é instável e além da Bolsa de Valores, o rápido avanço da Covid-19, doença causada pelo coronavírus, pode trazer resultados negativos para a economia brasileira. Para entender os possíveis impactos, conversamos com especialistas.  

 

Efeitos na economia do dia a dia 

Ainda não é possível mensurar os impactos reais do coronavírus na economia e nas empresas, mas especialistas apontam consequências na oferta e demanda. 

Restrições sociais e quarentena foram algumas medidas adotadas por países onde o coronavírus se espalhou com mais intensidade. “No longo prazo, temos o choque de oferta com a falta de componentes na indústria que podem gerar um atraso enorme na produção”, diz Diogo Carneiro, professor de ciências contábeis da Fipecafi. 

Fábricas que não conseguiram manter os funcionários em trabalho remoto tiveram que suspender a produção na China. A paralisação impactou as empresas brasileiras que enfrentam problemas com o recebimento de materiais e componentes, sobretudo, entre os fabricantes de produtos de tecnologia da informação, segundo o levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. 

Os dados da Abinee mostram que 57% das companhias já apresentavam consequências negativas, 6% já operam com paralisação parcial em suas fábricas e outras 14% já programaram paralisações parciais para os próximos dias. 

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda evitar aglomerações e, por isso escolas e universidades decidiram suspender as aulas. Shows e torneios de futebol foram adiados até que a situação esteja sob controle. Algumas empresas e até serviços públicos aderiram ao home office. Com menos pessoas circulando nas ruas, deixando de viajar e trabalhar, o consumo diminui. 

O comércio deve sentir. Tudo que estiver relacionado a aglomeração vai sentir e todos os agentes econômicos interagem entre si. Se temos impacto negativo em um setor, possivelmente haverá respingo em outros setores. Se o comércio vai mal, haverá uma redução no faturamento que implica em diminuição do consumo em outras áreas”, explica Nadja Heiderich, professora de economia da Fecap.

Retração do PIB

O avanço do coronavírus provocou um cenário de incerteza econômica que deve custar US $ 1 trilhão à economia global em 2020, segundo dados da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

No pior cenário, a Unctad estima que a economia mundial deve crescer apenas 0,5%, com impacto de US $ 2 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

No Brasil, o Ministério da Economia revisou a projeção do PIB brasileiro em 2020 de 2,4% para 2,1%, de acordo com o Boletim Macrofiscal, divulgado pela Secretaria de Política Econômica. 

A equipe econômica de Paulo Guedes atribuiu a revisão do Produto Interno Bruto aos impactos que a disseminação do coronavírus pode causar na economia mundial e, portanto, no país. 

 

Mercado financeiro 

O preço das ações deriva das expectativas e desempenho da empresa no mercado. O medo de perder dinheiro faz com que os investidores coloquem seu capital em ativos mais seguros em um movimento chamado “aversão ao risco”. 

Com a aversão ao risco, existe uma tendência de procura de ativos mais seguros e o dólar costuma ser a bola da vez. Não por acaso, a moeda nas últimas semanas tem apresentado uma forte valorização frente às demais, justamente por conta desse nível de preocupação”, afirma Alexandre Almeida, analista econômico da CM Capital.

O que fazer em meio à volatilidade do mercado?

O Ibovespa fechou a semana passada com queda de 15%, a pior semana desde 2008. Em meio às tensões no cenário econômico mundial, muitos investidores ficam aflitos e querem vender as ações. No entanto, é essencial manter a calma para não tomar decisões precipitadas. 

Com base nas análises de outras quedas e o aumento do temor pelo coronavírus,  especialistas da XP Investimentos acreditam em uma possível recessão mundial e que a bolsa brasileira pode cair ainda mais, entre 10% e 15% com 62 mil e 65 mil pontos. 

Para a analista de ações da XP Investimentos, Betina Roxo, os investidores devem ter calma, pensar no longo prazo e ter uma carteira diversificada. “Para ações especificamente, vale observar que empresas com bons fundamentos no longo prazo continuam com boas oportunidades, apesar do impacto nos mercados no curto prazo”, conclui. 

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