Depois de dois anos seguidos de quedas, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1% em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A crise econômica foi pesada para a maior parte dos setores. No entanto, o cooperativismo se destacou positivamente e continuou em expansão, apesar do cenário negativo.
Em 2017, por exemplo, a Unicred cresceu 27%. Já o Sicoob finalizou o ano passado com 19,2% de crescimento em ativos. Enquanto isso, instituições financeiras tradicionais fecharam 1.485 agências no mesmo período, segundo dados do Banco Central (BC).
Um modelo sustentável
Além de ter se destacado, pode-se dizer que o cooperativismo tem em seu cerne características necessárias para ajudar o País em momentos de crise. “Por ter seu modelo de negócio baseado na autogestão e na participação democrática, com um maior comprometimento das pessoas, as cooperativas conseguem mitigar os efeitos nocivos da crise com mais facilidade e se firmar nesse momento de uma maneira um pouco mais estável”, diz o superintendente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), Renato Nobile.
O 7º princípio cooperativista – interesse pela comunidade – também tem muito a ver com o desempenho e ajuda em tempos difíceis para a economia. Faz parte do DNA cooperativista pensar no coletivo e focar seus investimentos para a comunidade na qual a cooperativa está inserida, gerando negócios localmente.
“Todo recurso colocado na cooperativa é investido na região, diferentemente de instituições bancárias. Isso acaba gerando desenvolvimento social e econômico na localidade, tornando possível um novo investimento, gerando emprego e renda”, comenta o CEO da Unicred, Fernando Fagundes.
Taxas de juros mais baixas, crédito mais barato, atendimento personalizado e pulverização de agências físicas – mesmo em regiões afastadas – são apenas alguns dos fatores que incentivam empreendedores e pessoas físicas locais a investirem e crescerem, movimentando a economia regional.
“Essas taxas mais baratas permitem que o cooperado tenha segurança no pagamento da linha de crédito. Isso acaba se revertendo na redução da inadimplência. A nossa é bem baixa: apenas 2,5% estão com mais de 90 dias de inadimplência. O associado sabe que ele faz parte do negócio”, comenta Fagundes.
Agronegócio e cooperativas: uma parceria produtiva
O setor agrícola foi o principal responsável por puxar o PIB para cima após crescer 13% graças à safra recorde – fruto de condições climáticas favoráveis, bom solo e uma demanda externa aquecida.
Quando você pensa no agronegócio em si, talvez venha à mente grandes empresas. Mas a origem de todo o processo é na terra. “Na produção, temos um número representativo de unidades produtivas familiares que, por si só, podem parecer pequenas, mas que quando se associam a cooperativas, passam a ter assessoria técnica, garantia de trabalho, facilidade de aquisição e financiamento, o que permitiu que as cooperativas se destacassem no agronegócio”, argumenta o consultor de negócios e professor de gestão financeira da IBE- FGV, Alcidney Sentallin.
Para o professor, ao somar o crescimento das cooperativas como um todo, é possível enxergar como as cooperativas de agropecuária, assim como as de crédito, foram relevantes para a recuperação econômica. “Como o Brasil tem vocação para o agronegócio, as cooperativas deste ramo têm boas expectativas para os próximos anos.”
Papel das cooperativas de crédito
Elas atuam em plena sinergia com as cooperativas agropecuárias, principalmente pelo fato de que, em muitas cidades, tenham surgido a partir da necessidade de crédito dos cooperados do agronegócio. “Desta forma, em uma relação de intercooperação, elas constituem um importante e intenso processo de retroalimentação”, aponta Nobile.
O superintendente lembra que as cooperativas de crédito têm desempenhado papel fundamental pela inclusão financeira de milhares de pessoas em todo o País, visto que estão presentes em mais de 95% do território nacional – em 564 cidades do território brasileiro, elas são as únicas instituições financeiras presentes.
“Elas são importantes alternativas para fomentar o crédito no meio urbano e rural, inclusive nas regiões mais remotas, onde os bancos convencionais não têm interesse em atuar”, conclui.


















