Não é novidade para ninguém: os juros no Brasil são altíssimos. Nesse cenário, eles podem ser, ao mesmo tempo, nossos aliados – quando o assunto é investimentos – ou grandes inimigos – quando passamos às dívidas. E não se engane: se é de crédito que estamos falando, o seu efeito é prejudicial.
“Quando os juros estão a nosso favor, são ótimos. Mas quando estão contra podem pesar bem mais do que o esperado nas contas”, explica Bernardo Bartolomeo, planejador financeiro CFP pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Só para se ter uma ideia, a taxa básica de juros da economia (Selic), que serve de base para todas as outras praticadas pelo mercado, está em 10,25% ao ano. Os investimentos em renda fixa, portanto – como Tesouro Direto, CDBs e LCIs -, têm sua rentabilidade “colada” nessa taxa.
Devido ao chamado spread bancário, entretanto – a diferença entre quanto o dinheiro “custa” aos bancos e quanto ele “custa” aos consumidores -, os juros praticados no mercado são assustadoramente mais altos. A taxa cobrada no crédito pessoal não consignado, por exemplo, estava em 129% ao ano em abril deste ano e no cheque especial, em 328,3%, segundo dados do Banco Central. À essa taxa, uma dívida de R$ 100 no cheque especial cresce para R$ 428 no prazo de um ano, e sobe para R$ 1.834 em dois.
Com a enorme possibilidade de os juros cobrados prejudicarem o orçamento, é essencial, portanto, fugir do crédito sem necessidade. “O mais importante na hora de fazer uma dívida é planejamento. Antes de tomar essa decisão, é preciso se perguntar, primeiramente, se você já considerou todas as alternativas disponíveis. Se, ainda assim, achar que o crédito será necessário, é preciso pesquisar as modalidades disponíveis e planejar como incluir as parcelas no orçamento”, explica Ana Claudia Rodrigues, economista e coach de desenvolvimento humano da Atitude Emocional.
E como realmente usar os juros a seu favor?
Necessariamente pelos juros altos praticados, o Brasil oferece também um cenário fértil para os investimentos. Aqui é possível ver o seu dinheiro crescer à uma taxa muito interessante e o melhor: com segurança. Isso acontece porque há diversos produtos atraentes disponíveis para o perfil mais conservador de investidor, ou seja, aquele que não está disposto a assumir riscos em troca da possibilidade de ganhos maiores.
E quando falamos de juros compostos o tempo é o grande aliado: quanto antes você começar a investir para conquistar um sonho, mais poderá contar com a ajuda dos juros para ver seu patrimônio crescer.
O grande exemplo disso são investimentos de longo prazo, como a previdência privada – que busca dar tranquilidade ao investidor depois da aposentadoria. Com 20, 30 ou até 40 anos de ação dos juros, é possível reduzir consideravelmente o seu esforço de poupança, pois o “efeito bola de neve”, nesse caso, estará ajudando o crescimento da sua reserva. “Ter os juros a seu favor significa deixar o seu dinheiro trabalhar para você. Por isso, vale a pena se esforçar para compor patrimônio e investir”, explica Bartolomeo.
O mais importante nesse processo é entender os seus objetivos, pesquisar as opções de produtos existentes e realmente colocar seu plano de poupança em prática. Esse planejamento poderá ser essencial para a reforma de um consultório, aquisição de um novo aparelho ou mesmo uma viagem de férias. “Com prática, tudo se torna um hábito. E na vida financeira não é diferente: no começo será preciso fazer contas, simulações, comparar opções, conversar com a família… Depois, você verá como os juros compostos podem ajudá-lo a conquistar sua prosperidade financeira”, afirma Ana Cláudia.



















