Ter vários cartões de crédito e o hábito de dividir no maior número de prestações possível não é saudável para a vida financeira de ninguém, mas ainda assim é um hábito muito comum entre os brasileiros. É o que mostra uma pesquisa recente realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
Seis (59%) em cada dez consumidores utilizaram o crédito para fazer compras não planejadas – 15% optaram por dividir a compra pelo máximo de prestações possíveis. O levantamento foi feito com 910 consumidores de ambos os gêneros, de todas as classes sociais e acima de 18 anos.
“O problema em dividir as compras é que as pessoas veem o valor da parcela, e não as somas delas. A recomendação é parcelar apenas compras estratégicas, como um novo equipamento para o consultório ou algum eletrodoméstico para a casa. Neste caso, vale a pena parcelar a compra em vários meses, se você não puder pagar à vista”, comenta Leandro Trajano, especialista em planejamento financeiro.
Cartão de crédito: como não se endividar?
A forma de pagamento mais utilizada é também uma das que tem os juros mais caros do Brasil. O hábito de utilizar apenas o cartão de crédito e parcelar todas as compras pode prejudicar o orçamento de quem não tem um bom planejamento financeiro.
De acordo com a pesquisa, 66% dos consumidores escolhem o cartão de crédito para parcelar uma compra, enquanto 9% afirmaram que sempre preferem parcelar, independentemente das condições. Por outro lado, 34% pagam apenas em dinheiro ou cartão de débito caso haja algum desconto vantajoso e 41% sempre pagam à vista.
Dos entrevistados, 18% afirmaram que preferem o menor número de prestações disponíveis, enquanto 31% disseram ser mais prudentes ao parcelar a compra e levam em consideração a realidade financeira. “Aqui, a dica para quem está enrolado no cartão de crédito, seja nas parcelas ou no rotativo, é priorizar apenas o débito ou pagamento em espécie por alguns meses. Assim, pouco a pouco, a pessoa irá diminuir o valor da dívida”, pontua Trajano.

Não deixe que as compras por impulso acabem com o seu orçamento
É fácil cair em tentação, principalmente ao ver uma promoção. O levantamento mostrou que os produtos mais comprados por impulsos foram as roupas, calçados e acessórios (19%).
Em segundo lugar, estão as compras em supermercado (17%), perfumes e cosméticos (14%) e idas a bares e restaurantes (13%). Peças de vestuário e acessórios foram mais presentes na parcela feminina (23%), enquanto a compra de produtos eletrônicos ganhou destaque entre os homens (13%).
Se você pretende investir em um empreendimento próprio, como uma clínica ou consultório, ou tem o desejo de se especializar na sua área, saiba que esses pequenos gastos pessoais irão interferir e muito na realização desses sonhos.
Para Anderson Pellegrino, professor de economia da IBE conveniada FGV, é fundamental ter muito cuidado no acúmulo de parcelas. A dica do especialista é estabelecer um limite próprio mensal, e não extrapolá-lo. Assim, você terá mais equilíbrio financeiro e poderá focar em outras áreas da vida e da carreira.
“Antes de colocar a mão no cartão, você precisa ter um bom planejamento financeiro. E isso é uma ferramenta básica e simples. Faça um controle pleno do quanto você recebe mensalmente de dinheiro na sua atuação profissional e quais são as suas despesas. Feito isso, aí sim você se planeja para saber o quanto pode gastar mensalmente, de modo a não criar problemas financeiros”, conclui.


















