A notícia sobre os saques de contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) veio em boa hora para os brasileiros que poderão fazê-lo – ou seja, trabalhadores com contas inativas desde 31 de dezembro de 2015. Assim, mesmo os profissionais da saúde que hoje trabalham de maneira autônoma podem aproveitar os recursos da época em que exerciam a função como CLT, caso o tenham feito.
Por mais que seja tentador gastar este dinheiro ao bel prazer, existem outras alternativas mais sábias para usá-lo. A primeira delas vai para quem está endividado: regularize a situação o quanto antes. “Os juros das dívidas são muito mais caros do que os de investimentos. Por isso, elas se multiplicam em maior velocidade, se tornando perigosas”, afirma o consultor financeiro Leonardo Grisotto.
Depois de quitar todos os débitos, é indicado formar uma reserva de emergência. Nunca se sabe quando acontecerá um imprevisto – desde um problema de infraestrutura em casa, até uma situação de desemprego.
Poder contar com um dinheiro guardado é essencial especialmente para profissionais que trabalham de maneira autônoma, pois não podem contar com benefícios como seguro-desemprego. De acordo com Grisotto, o ideal é que se guarde o equivalente a seis meses da renda líquida.
Investindo para o futuro
Aqueles que não tiverem dívidas e já tiverem garantido a reserva de emergência podem usar o valor resgatado do saque do FGTS em investimentos que visem a aposentadoria. Entre eles, destacam-se alguns, como a previdência privada.
A Seguros Unimed conta com o Uni+Prev, um plano flexível que permite que se contribua quando quiser com o valor que puder.
No entanto, isso não significa que você deva postergar essa atitude. “O ideal é fazer esse investimento desde cedo. Quanto mais tempo poupando, melhor”, diz Claudio Tosta, especialista em Gestão Estratégica e professor da IBE-FGV no MBA de Executivo em Saúde.
Isso porque, além de possibilitar mais tempo reunindo um bom montante, existe o modelo de tributação regressivo. Nele, quanto mais tempo o dinheiro permanecer na aplicação, menor a alíquota. Por exemplo, investimentos aplicados por mais de 10 anos sofrem incidência de até 10%, enquanto a taxa para quem investe na previdência privada menos de dois anos sobe para 35%. É por isso que, para quem começa a aplicar na Previdência em idade mais avançada, é aconselhado optar pelo modelo de tributação progressivo.
Outra escolha a ser feita é o modelo. O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) permite que você deduza até 12% de sua renda bruta anual com as contribuições ao plano de aposentadoria – por isso, é indicado para quem declara o Imposto de Renda pelo modelo completo. Enquanto isso, o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) é melhor opção para quem é isento ou declara o IR pelo modelo simplificado.
A previdência privada está entre os investimentos que incidem Imposto de Renda. Neste sentido, a diferença entre os modelos é que, no PGBL, o Imposto de Renda incide sobre todo o montante aplicado, enquanto, no segundo, isso ocorre apenas sobre os rendimentos.
Outra opção de investimento é o Tesouro Direto, aplicação de renda fixa conservadora. Isso significa que tem bons rendimentos e risco baixíssimo. “Para que a inflação não corroa o dinheiro ao longo do tempo em que estiver aplicado – que, neste caso, é alto por se tratar de um investimento para aposentadoria –, costumo indicar o título IPCA+, que protege o montante da inflação e ainda garante rendimento acima dela”, recomenda Grisotto.
Além de investir os recursos do saque do FGTS, é importante manter a disciplina de fazer aplicações todo mês. Só assim seu dinheiro continuará crescendo exponencialmente – garantindo uma aposentadoria mais tranquila.



















