A saúde baseada em valor é uma das tendências mais inovadoras e impactantes da medicina privada. Baseia-se no tripé performance, mérito e valor, o “triple aim” (objetivo triplo). De acordo com Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, assim, é possível melhorar a saúde das populações, aprimorar a experiência de cuidado do paciente e reduzir o custo per capita desse cuidado.
“Há um paradoxo no gasto em saúde e na geração de valor (prevenção quaternária): a utilização excessiva de recursos destrói valor e torna o sistema danoso. Para transformar a saúde pelo valor, os médicos precisam adaptar seu processo de trabalho e abandonar práticas do passado”, afirmou, durante sua participação no 3º Congresso da Federação Médica Brasileira (FMB), em Belo Horizonte (MG), na última sexta (08).
Na palestra “Sistema cooperativista, seguros e remuneração médica”, o dirigente explicou que, quando se aborda essa mudança cultural, há que considerar, porém, que o Brasil tem quase 576 mil médicos. Isso significa uma proporção de 2,81 profissionais por mil habitantes, a maior já registrada no país. Entretanto, por outro lado, há um crescimento desproporcional do número de médicos.
“Não basta aumentar a quantidade de médicos e, sim, ter uma rede de assistência sólida, que comece na atenção primária e valorize a qualidade. E há que ter, sempre, compromisso com o aprendizado, porque a verdadeira formação não termina com o diploma de medicina”, disse ele, que também é presidente da Faculdade Unimed, ao ressaltar a importância da educação continuada.
“É devido a esse compromisso com o aperfeiçoamento profissional dos médicos que a Faculdade Unimed tem ampliado e diversificado seus cursos. Até porque, as Unimeds são dirigidas por médicos, que precisam somar aos seus conhecimentos de medicina às especificidades da administração de cooperativas médicas”, reforçou Helton Freitas.
Transformação cultural
De volta ao modelo regulatório que inclui indicadores de mérito, é importante, segundo ele, assegurar sua conformidade com o cumprimento de requisitos definidos. A entrega de valor em saúde depende de um processo planejado, acompanhado, mensurado e executado. Porém, reconheceu que pode haver resistência.
“Há, como em toda a transformação cultural. Mas não se pode evitar que a saúde suplementar (e até a pública) caminhe nesse sentido”, ponderou o presidente da Seguradora do Sistema Unimed. “A transformação pelo valor é a evolução do modelo de remuneração na saúde suplementar”, completou.
Por fim, Helton Freitas lembrou que, o beneficiário de um plano de saúde, quando enfrenta uma doença, é um cliente que espera o melhor desfecho possível. É natural, portanto, que operadoras e seguradoras trabalhem para entregar esse valor, e que esse desfecho seja devidamente remunerado.