
Eleito conselheiro externo da Unimed Participações, em Assembleia Geral Extraordinária em 10 de agosto, Michel Levy contou sobre os novos desafios do cenário econômico e digital. Também falou sobre a proposta de transformar a Unimed Participações em um hub tecnológico e de novos negócios do Sistema Unimed.
Confira a entrevista completa:
Conexão Unimed: Na sua opinião, quais os maiores desafios que as empresas enfrentam com o modelo de trabalho híbrido?
Michel Levy: Ao que parece, há um consenso de que o formato híbrido é um caminho necessário e, talvez, sem volta. O maior desafio será encontrar o equilíbrio entre remoto e presencial, entre o pessoal e o profissional. Um ponto que tem sido muito discutido é o da cultura da empresa: até que ponto é possível disseminar e manter a cultura da empresa, principalmente, para pessoas que foram contratadas durante a pandemia e que nunca tiveram contato presencial com o ambiente de trabalho.
Conexão: Qual a sua visão sobre o mercado de saúde suplementar em meio ao contexto tecnológico atual? E quais os desafios para o Sistema Unimed?
Levy: Como em todos os campos, a ampla utilização das novas tecnologias é absolutamente necessária para a reinvenção das organizações de saúde, seja permitindo a criação de novos modelos de negócio, seja melhorando a eficiência, baixando custos e melhorando a qualidade dos serviços prestados. Com a aplicação da ciência de dados, é possível tomar decisões tanto na área médica quanto na de negócios.
Por exemplo: no acompanhamento em tempo real por meio dos “wearables” (dispositivos que o paciente “veste”) de pacientes crônicos, diminuindo ou eliminando por completo a necessidade de internação; na utilização de algoritmos criados com Big Data e IA para monitorar e combater infecção hospitalar; nas cirurgias e diagnósticos remotos, multiplicando, assim, a disponibilidade de médicos especialistas.
Conexão: A Telemedicina, o telemonitoramento, receitas digitais, aplicativos e algoritmos têm sido grandes aliados durante a pandemia. À medida que se consolida a volta às atividades presenciais, você acredita que essas formas de atendimento serão menos utilizadas, ou chegaram para ficar?
Levy: A crise sanitária acelerou a adoção de novos paradigmas como, por exemplo, a telemedicina. Esses novos paradigmas, com novas formas de relacionamento entre médico e paciente, sem deslocamentos, forma simplificada de atendimento, vieram para ficar à medida em que reduzem custos e melhoram a vida das pessoas. Várias transformações que a crise sanitária provocou são irreversíveis. São as novas formas de lidar com os hábitos e com o uso das tecnologias que facilitam a vida e aproximam que farão a diferença.
Conexão: Nos últimos anos, o avanço e surgimento de novas tecnologias está acelerado. Como você interpreta essa rapidez, como o país estará tecnologicamente no futuro?
Levy: A velocidade do avanço tecnológico é exponencial. As organizações terão que se transformar continuamente para permitir e estimular a inovação, seja ela interna e/ou externa, fomentando seu ecossistema. Cada vez mais as organizações e os negócios se preocupam com sua cadeia produtiva para que sejam sustentáveis.
O grande desafio organizacional das lideranças das empresas é lidar com a ambiguidade: fazer as escolhas e priorizar a alocação de recursos, garantindo o resultado de curto prazo e ao mesmo tempo a sustentabilidade a longo prazo.
O Brasil tem condições e cérebros para ser um dos países com grande desenvolvimento tecnológico, precisamos investir na ciência e na tecnologia sempre.
Conexão: Qual a sua expectativa como conselheiro externo na Unimed Participações, a holding que visa fomentar novos negócios no Sistema Unimed?
Levy: Acho muito inspiradora a nova visão desenhada pela liderança do Sistema Unimed. Minha expectativa é poder contribuir para realização dessa visão, trabalhando de forma colaborativa e complementar com os outros conselheiros, para que a Unimed seja reconhecida pela constante busca pela inovação e pelo aumento da qualidade dos seus serviços.
Conexão: Como você avalia a intenção da Unimed Participações de se tornar um hub tecnológico e de negócios do Sistema Unimed?
Levy: Penso que esse seja um movimento estratégico de longo alcance, que certamente irá contribuir para a consolidação da sua liderança no sistema suplementar de saúde, alavancando o poder de compra da sua rede, bem como na possibilidade de ampliar, exponencialmente a oferta de produtos e serviços para os usuários dos planos de saúde oferecidos.
Ser um hub tecnológico e de novos negócios dá ao grupo a segurança de que a holding está olhando para o presente e para o futuro, buscando as mais novas tecnologias para inovar sempre, além de estar atenta a novos serviços que poderão agregar valor ao grupo. Ela pode oferecer às cooperativas um conjunto de inovações que, sozinhas, poderiam não alcançar ou custar mais. É um ganho de escala.
Conexão: Como a tecnologia pode contribuir para a sustentabilidade financeira do Sistema Unimed?
Levy: Tecnologia gera inovação, inovação gera competitividade, competitividade gera sustentabilidade financeira. É um ciclo vital para qualquer organização no mundo contemporâneo. Para todo negócio, é importante aprender com a experiência já consolidada na área, mas estar atento, pois ela muda tão rapidamente quanto o comportamento do consumidor. Entender esse comportamento, suas demandas e necessidades, faz com que a organização se torne essencial na vida das pessoas.
Saiba mais sobre Michel Levy
Engenheiro formado pela Escola Politécnica da USP, com mestrado pela Universidade de Stanford (Estados de Unidos), Michel Levy foi CEO da Saraiva e da Zatix/Omnilink, vice-presidente de Operações da TIM, e presidente da subsidiária brasileira da Microsoft. Desde 2019 é CEO da Vogel Telecom.
















