A agenda da responsabilidade socioambiental evoluiu e hoje ganha projeção a partir do termo ESG (sigla em inglês para as palavras Environmental, Social e Governance), que remete às boas práticas ambientais, sociais e de governança. Nesse tripé, a governança corporativa é elemento fundamental para garantir a coesão entre o discurso e a prática por parte das empresas.
No contexto ESG, a governança corporativa pressupõe o aprimoramento do modelo de gestão, para que todas as ações, rotinas, processos e decisões estejam alinhados às melhores práticas. Em seu conjunto, a governança resulta em empresas comprometidas com seus objetivos, compromissos e responsabilidades, que desenvolvem relacionamentos transparentes e equitativos com os stakeholders.
Para as instituições de saúde que querem se posicionar como empresas que têm políticas consistentes voltadas ao ESG, o primeiro passo deve ser dado em relação à governança corporativa. É a partir desse ponto que todo o planejamento estratégico da companhia será construído e conduzido.
O que é a governança corporativa?
De acordo com a definição do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), “governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas”.
A consolidação desse sistema determina, de forma objetiva, como a gestão deve ser conduzida, sempre buscando os melhores resultados para todos os envolvidos. “Ou seja, a governança é um conjunto de práticas que uma empresa adota para fortalecer a organização e alinhar os interesses do negócio, dos sócios, dos diretores, acionistas e outros stakeholders, e conciliar esses interesses com os órgãos de fiscalização e regulamentação”, explica Eduardo Valério, fundador e CEO da GoNext Governança Corporativa & Sucessão, com mais de 25 anos de experiência como executivo.
Por conta de estabelecer melhores procedimentos para a gestão, a governança corporativa prepara a empresa para realizar seu planejamento estratégico com efetividade. Todos os aspectos relevantes para a organização são observados, inclusive as iniciativas socioambientais e a prestação de contas.
Qual é o papel da governança na agenda ESG?
Valério ressalta que as políticas ESG estão direcionadas aos “principais fatores que medem o índice de sustentabilidade e impacto social de uma empresa”. Para ele, adotar as boas práticas ambientais, sociais e de governança é essencial para empresas de qualquer segmento. “Mais do que nunca, o conceito precisa ser aprendido e empregado nas organizações que pretendem manter competitividade e alinhamento com seu público.”
Na prática, o ESG funciona como um selo de qualidade empresarial. “Por meio do resultado da análise ambiental, social e de governança, é possível determinar como a empresa se posiciona em relação à sociedade e ao planeta, inclusive oferecendo mais transparência ao investidor”, elucida o executivo.
“A ‘governança’, dentro do ESG, é o conjunto de ações que definem as responsabilidades de cada um dentro de uma companhia, o que ajuda a desenhar os processos corporativos para a tomada de decisões”, observa. “Dentro do contexto de ESG, a governança envolve as ações e as responsabilidades da empresa para a tomada de decisão, rotinas e processos.”
Como a governança corporativa se aplica ao setor da saúde?
A governança corporativa, com foco nas melhores práticas ESG, tem o mesmo fundamento para todas as organizações. As diferenças vão ser observadas nos detalhes das ações e procedimentos cotidianos da gestão, que devem estar alinhados às peculiaridades da organização.
Valério detalhe que, basicamente, o “G” de governança prevê a definição de procedimentos, que, minimamente, devem abranger:
- regras para condução do negócio;
- fórum para tomadas de decisão;
- sistematização do processo de prestação de contas de forma transparente;
- comunicação clara sobre os objetivos da empresa para todos os seus stakeholders.
No caso das instituições de saúde é importante ressaltar que estão sujeitas a uma série de regulamentações legais. Nesse sentido, instituir o processo de governança corporativa, que pressupõe atenção à conformidade (ou seja, adequação às normas) é fundamental para reduzir riscos ao negócio. O fórum para tomadas de decisões, como um conselho de administração, deve estar atento, entre outros pontos, às questões de compliance.
As organizações que estão começando a se voltar para o ESG devem, inicialmente, fazer uma análise da própria cultura corporativa, ensina Valério. O objetivo é identificar as práticas já existentes e se há compatibilidade com a agenda ESG.
Outra recomendação é “iniciar pelas questões mais adequadas ao momento da empresa e da sua cultura”, aconselha o executivo. “Depois deverá ser feito o acompanhamento periódico da sua revolução. O conselho de administração ou algum órgão de gestão da empresa deverá fazer esse acompanhamento.”
A governança corporativa tem um olhar atento aos riscos para o negócio, um fator que favorece empresas que atuam na área da saúde. Entre os instrumentos que auxiliam a gestão nesse processo estão seguros específicos para a proteção de organizações do setor. Entenda como funciona e quais são as vantagens do seguro de responsabilidade civil para instituições de saúde.


















