Um relatório do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC), – órgão consultivo da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima – indica que já nos próximos 30 anos sentiremos mudanças climáticas, frutos das ações humanas, e isso afetará fundamentalmente a vida na terra, mesmo se contendo as emissões de gases estufa.
O documento aponta riscos como disseminação de doenças, extinção de espécies, calor insustentável à vida, colapso dos ecossistemas, seca, fome, entre outros.
Mas qual o risco para a nossa saúde? Meio ambiente e corpo humano estão muito relacionados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que as mudanças climáticas provoquem ao menos 150 mil mortes ao ano.
O crescimento do aquecimento global que provoca um calor extremo é algo preocupante. Os autores de dois artigos sobre calor e saúde, publicados no The Lancet, recomendam esforços mundiais para que o aquecimento global se limite a 1,5°C para evitar mortalidade substancial relacionada ao calor no futuro.
Para reduzir os impactos do calor extremo na saúde, é necessário transformar isso em prioridade e incluir mudanças imediatas no ambiente urbano, na infraestrutura e no comportamento individual.
Quando nosso corpo é exposto a extremo estresse térmico, a capacidade de regular sua temperatura interna pode ser sobrecarregada, levando à insolação. Em um quadro de insolação, a pessoa acaba perdendo muita água, sais e nutrientes importantes para a manutenção do equilíbrio do organismo.
Além disso, os efeitos do calor extremo estão associados ao aumento de hospitalizações e visitas ao pronto-socorro, aumento de complicações e mortes, principalmente entre os idosos e crianças, por doenças cardiorrespiratórias, desidratação, falência renal e, com isso, aumento dos custos de saúde.
Outro ponto importante é que os efeitos do aquecimento global farão os alimentos custarem (mais) caro e o cenário será propício para a transmissão de vírus e bactérias e para a piora de doenças respiratórias.
Mas o mais preocupante é que a situação é praticamente irreversível e os esforços devem agora ser focados em como se adaptar ao cenário inevitável. Nosso corpo tem a capacidade de se adaptar às variações térmicas, mas, quando fica muito calor por muito tempo, ou as mudanças de temperatura são muito bruscas, essa habilidade é reduzida.
Portanto, o aquecimento das temperaturas está escancarando diversos desafios ambientais, sociais e de saúde. Por isso, temos que tomar as medidas individuais, cada um fazendo um pouco. Se isso já é considerado irreversível, é nossa obrigação tentar ao máximo minimizar isso.


















