
Utilizar Inteligência Artificial para preservar o capital intelectual e garantir a continuidade do cuidado em saúde. Essa é a essência do projeto “Gêmeos Digitais e o Futuro do Conhecimento”, fruto da parceria entre Seguros Unimed, Faculdade Unimed, Unimed-BH, Unimed Campinas e WorkAI. Ele é pioneiro no Brasil e nasce com um diferencial estratégico: foi concebido e estruturado para ser replicado em todo o Sistema Unimed.
“Estamos falando de agentes de inteligência artificial que atuam de forma colaborativa para enfrentar problemas complexos, sempre com um objetivo muito claro: colocar a tecnologia a serviço da melhoria da qualidade de vida de pessoas que têm enfermidades graves. O impacto vai além da inovação tecnológica. Ele chega às pessoas”, disse Helton Freitas, presidente da Seguradora e da Fundação Unimed.
Diferencial e pioneirismo
De acordo com Rafael Silva, head do Horizontes Hub, o hub de inovação da Unimed-BH, o próprio formato de trabalho, baseado na inovação aberta e no cooperativismo, já é um legado. O pioneirismo da iniciativa, enfatizou, é resultado de uma vantagem ímpar do modelo de negócio cooperativista. Para ele, a marca Unimed se tornará referência por essa contribuição, que tem potencial de aplicação em diferentes contextos de alta complexidade.
“Não são apenas os produtos gerados que são inovadores. Estamos trabalhando com tecnologias altamente disruptivas, mas o grande diferencial é o modelo cooperativista”, afirmou. “Promover colaboração exige energia e alinhamento. No cooperativismo, isso se torna mais natural, porque já vivemos esse modelo no dia a dia. É por isso que conseguimos avançar de forma pioneira”, completou.
Inovação e intercooperação
O projeto foi desenvolvido a partir de um consórcio cooperativo que reuniu expertises complementares da Seguros Unimed, das Singulares e da área acadêmica do ecossistema. Esse modelo colaborativo permitiu acelerar o desenvolvimento da tecnologia e criar uma metodologia escalável, que poderá ser compartilhada com outras Unimeds.
“É um projeto feito de forma colaborativa. Ele dialoga diretamente com nossos pilares estratégicos de inovação, tecnologia e cuidado, que são valores do Sistema Unimed”, pontuou Dalbi Arruda, superintendente de Tecnologia e Inovação da Unimed Campinas, ao declarar que o cooperativismo foi determinante para a participação da cooperativa.

Tecnologia e humanidade
A tecnologia utiliza um ecossistema de Inteligência Artificial composto por três agentes integrados — um gestor digital, um avatar palestrante e um agente clínico assistivo. Eles são operados por meio de rastreamento ocular (eye tracking), permitindo a atuação profissional sem a necessidade de movimentos motores.
Como um Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), a Fundação Unimed, por meio da Faculdade Unimed, é a responsável pela coordenação científica e institucional do projeto. A iniciativa alia inovação tecnológica, cuidado e colaboração institucional, focando inicialmente em profissionais com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
“O projeto Gêmeos Digitais integra ciência, tecnologia, mas, principalmente, o cuidado com as pessoas. A iniciativa inaugura uma forma de compreender, preservar e compartilhar o conhecimento humano, mesmo diante das limitações impostas por doenças. Nesse momento, agradeço à Dra. Maria Inês por confiar em nossa instituição para apoiá-la nessa jornada e aos nossos parceiros por impulsionarem o desenvolvimento dessa iniciativa. Seguiremos juntos, com responsabilidade, empenho e muita gratidão”, disse Fábio Gastal, diretor acadêmico da instituição de ensino superior.
O primeiro estudo de caso envolve a pesquisadora Maria Inês Soares Quintana, da Faculdade Unimed, que convive com a progressão da ELA. Por meio do sistema multiagente, ela mantém atividades acadêmicas e assistenciais, com recuperação de até 95% de sua capacidade produtiva intelectual.
“Ele me devolve a possibilidade de atender, coisa que a paralisia tentou me roubar. Eu sou a prova de que a mente não tem limites quando a tecnologia serve como ponte. Vocês não estão investindo apenas em código e algoritmos; vocês estão investindo na preservação da dignidade humana”, afirmou Maria Inês.
Próximos passos
O projeto “Gêmeos Digitais e o Futuro do Conhecimento” prevê, ainda, aplicações na produção de conteúdos educacionais, comunicação institucional, apoio às atividades acadêmicas e aos gestores das Unimeds, por meio da criação de avatares, com voz, imagem e expressões das pessoas. Segundo Eduardo Barros, CEO da WorkAI, a solução cria ganhos diretos para o Sistema Unimed.
“Estamos falando de um time de agentes de Inteligência Artificial conectados, capazes de acessar, analisar e devolver informações de forma muito eficiente, otimizando processos”, explicou. “Esse protocolo pode ser replicado em todo o Sistema, seja para educação, produção de conteúdos, materiais internos ou apoio à gestão. É uma tecnologia pensada para escala”, finalizou.

















